Ao falar sobre educação liberal para um público que não conhece esta idéia, uma objeção que costumo ouvir com freqüencia é algo nas seguintes linhas: “mas para quê serve isto?”. Ou seja, a pergunta é pela utilidade da educação liberal.
A pergunta é bastante razoável, pois, dado que este é um empreendimento que tomará muito dos recursos de uma pessoa – incluindo seu recurso mais valioso e escasso: o tempo – ela tem todo o direito de saber que frutos irá colher do seu tempo e esforço investidos.
Uma resposta adequada para este pergunta, no entanto, não é nada simples, pois podemos seguir dois caminhos inteiramente diferentes: mostrar em quê a educação liberal é útil ou mostrar porque a utilidade não deve ser considerada o valor mais alto em nossas decisões. Neste artigo, percorremos o segundo caminho, deixando o primeiro para outro momento.
O que é a utilidade?
Vamos, portanto, primeiramente nos certificar que entendemos bem o que é a idéia de utilidade.
Quando dizemos que uma coisa é útil, estamos querendo dizer que ela é um meio eficiente de se alcançar um determinado objetivo, o qual varia de acordo com o objeto em questão.
O garfo, portanto, é útil porque ele é um meio eficiente para levar a comida à boca. O carro é útil porque ele é um meio adequado para nos locomovermos nas estradas. O remédio é útil porque serve para curar doenças.
A superioridade dos fins sobre os meios
O que está implícito nesta descrição – e que freqüentemente esquecemos – é que tudo o que é útil, por definição, não possui nenhuma importância em si mesmo, pois todo seu valor reside no objeto de sua utilidade. Em outras palavras: o garfo é tão importante quanto for a importância do ato de levar comida à boca; o remédio é tão importante quanto a cura que ele promove, etc.